Mateo,
Eu temo que esta seja a última de minhas correspondências, pois sei que meus conselhos cairão inúteis perante teu estado cego. Mesmo com os anos instáveis pelos quais conseguimos manter nossa linha de comunicação oculta, eu devo ainda tentar. Desejo, por vezes, que eu não temesse por muito mais que isso.
É minha culpa, não ter o ajudado antes, o impedido quando tive a chance. Estive tão focado em minha própria pesquisa, tão hipervigilante ao tipo de perdição particular que nos fez perder Elysium e Jericho, que sequer considerei preocupantes suas afiliações conforme elas germinavam. Então eu imploro por seu perdão e imploro que ouça-me, ainda que eu ache que não funcionará:
Não performe o Último Manifesto. Sim, eu sei do que o chama, você não é o único com novas afiliações. É loucura e é suicida. Eu não posso em boa consciência manter nosso compadrio enquanto o assisto tentar destruir a si mesmo ou ao mundo, mas em honra a tudo que partilhamos, me absterei de avisar a coroa de Zora do que planeja como parte de seu delírio de grandeza. O devo ao menos isso.
Eu gostaria de pensar que você abandonaria sua causa por mim. Mas meus sonhos são danças incandescentes nos últimos tempos, então suponho saber onde nossa sua história termina. Valia, de qualquer forma, a pena.
Outrora teu,
Alaric H.
* a carta foi deixada pelo vão da porta da cabine de kiki.


